Paternidade - Ano 1

11/09/2018

"Maternidade também é DOAÇÃO. Nossa, e como! A mãe se doa integralmente à cria. Doa-se, de forma abnegada, como alguns acreditam que Deus tenha se doado por nós. A mãe faz isso sem esperar absolutamente nada em troca. Deus não é pai, é MÃE! "


Breves considerações sobre a aventura mais encantadora, transformadora, desafiadora e difícil da minha vida.

Por Richardo Sales

Hoje minha filha completa 1 ano de vida.

Poderia começar este texto de uma infinidade de formas. Poderia iniciar falando sobre a experiência incrível, desafiadora e apaixonante da paternidade. No entanto, decidi escrever, de início, sobre algo ainda mais sensacional, mágico eu diria, algo de que não me recordo e que jamais poderei viver, mas que o destino, Deus, ou seja lá o que for, deu-me, de uma certa forma, a oportunidade de presenciar de perto, agora, com minha esposa e minha filha; A MATERNIDADE. A relação inexplicável entre mãe e cria.

Antes de qualquer coisa, precisamos, desde logo, ser realistas, a maternidade é SOLITÁRIA, não adianta romantizar. Por mais que o pai seja presente, a maternidade é solitária e vivida, em sua essência, no mais das vezes, em silêncio, nas madrugadas.

Decidi escrever sobre isso em uma madrugada de novembro, quando acordei, por volta de 4h, e, sem que fosse notado, olhei para o lado e vi a mãe da minha filha, em silêncio, sozinha, dando o peito para a nossa cria, que havia acordado pedindo pela mãe. Presenciei cena idêntica inúmeras vezes, cena esta que sei que se repetiu TODAS AS NOITES desde o nascimento da minha filha, e que, na maioria das vezes, foi como naquela noite: minha esposa em silêncio, solitária, amamentando nossa menina com cuidado para não me acordar, pois, pela manhã, eu levantaria cedo, para "trabalhar". "Trabalhar"? Meu trabalho é lazer perto da incumbência de cuidar de um bebê 24h por dia, 365 dias por ano. Só quem já interrompeu banho, amamentou enquanto fazia suas necessidades fisiológicas, comeu comida fria porque teve que parar para amamentar, sabe como é foda! Isso que é trampo! Quem trabalha, de verdade, é ela!

Maternidade também é DOAÇÃO. Nossa, e como! A mãe se doa integralmente à cria. Doa-se, de forma abnegada, como alguns acreditam que Deus tenha se doado por nós. A mãe faz isso sem esperar absolutamente nada em troca. Deus não é pai, é MÃE!

Mulheres são, realmente, seres especiais, não há a menor dúvida disso. Elas geram uma vida e se doam em prol dela. Postergam sonhos, desapegam-se de preocupações estéticas, alteram planos, refazem rotas. Tudo pela cria. Que ser humano é esse? MULHER!

Quero deixar claro aqui que isso não é uma ode à procriação. Pelo contrário, aliás. Colocar um ser humano no mundo atual é uma atitude quase que irresponsável. No entanto, assumimos, ainda que sem planejar, essa bronca, e vamos tentar, de acordo com nossas convicções, mas sempre respeitando a autonomia da vontade da nossa filha, direcioná-la na vida, em busca da felicidade.

A mulher é um ser humano especial independentemente da maternidade. Ela enfrenta diariamente o machismo e o sexismo arraigados em nossa sociedade. Minha esposa enfrenta. Minha filha enfrentará. Cabe a todos nós combatermos isso. A sociedade precisa evoluir. Nossos filhos não devem ser nossas cópias, mas versões melhoradas. Lutemos por isso! Se você tem um filho, ensine-o a respeitar as mulheres, para que eu não tenha que ensinar minha filha a se defender dele.

Voltando, a observação da relação entre minha esposa e minha filha me fez valorizar ainda mais meus pais, e em especial minha mãe, pois, ainda que não me lembre, sei que as agruras foram as mesmas ou ainda piores, e isso é digno de gratidão eterna.

Ao final do primeiro ano de vida da minha filha, a emoção e a alegria são imensas. A sensação de vitória é incrível. Não foi fácil, não mesmo, mas conseguimos. Também pudera, tenho uma MULHER ao meu lado. Obrigado, Aline Santana! Amo vc! Amo nossa filha! I love us!

Com você, filha, a conversa será em particular, no nosso mundinho, entre uma música da galinha pintadinha e um clássico do rock, e umas pausas para o "mama", enquanto trocamos olhares, carinhos e descobrimos um ao outro.

Impossível não cometer o maior erro de quem ama; desejar, do fundo da alma, eternizar aquilo que se ama. Mais que tudo, queria tornar eternos os momentos vividos, em família, ao lado da nossa filha. Queria parar o tempo aqui, agora, e desfrutar, por toda a eternidade, da doçura da nossa menina.

Seguindo neste devaneio, caso pudesse escolher apenas uma coisa para perpetuar; escolheria o CHEIRO DELA, o cheiro da nossa bebezinha. Cara, se o céu existir, tem esse cheiro, tenho certeza.

"Richardo Sales é pai e marido apaixonado pela família, servidor público, corinthiano, rockeiro, barbudo e tatuado, além de músico frustrado." 

E será um dos participantes da nossa mesa redonda!!